AstroClubeCunha

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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A Beleza do Céu Escuro

“...o olho vê o que nunca viu...”                                               Gilberto Jardineiro

A noite é serena, a temperatura ambiente é amena e agradável, com ela vem o silêncio e o mundo dos sentidos se alterna, o som e as sombras ganham expressão. As estrelas aparecem e iluminam o céu de verão. 



PLEIADES, M45, Sete Irmãs – Aglomerado estelar, estrelas azuis jovens e quentes, idade 100 milhões anos, dispersão prevista 250 milhões anos, distante 425 anos-luz, dimensão 15 anos-luz, constelação Touro, declinação +24°.10’
Telescópio refrator apo 70mm f/8 + Canon D500+DSF banda larga – expo 40min30seg (9x271s) iso1600 30Jan19
  
O braço externo da Via Láctea se estende de norte a sul no alto do céu expondo joias celestes incrustradas em veludo negro, safiras, rubis, diamantes. Grupos de estrelas que nasceram juntas, estão aglomeradas e com a passagem do tempo irão se dispersar no meio galáctico, tal como o Sol, tal como os átomos de nossos corpos.


HYADES  O aglomerado estelar mais próximo a 151 anos-luz, magnitude 0.5, idade 625 milhões anos, dimensão 8.8 anos-luz, constelação Touro, declinação +15°.52’
Telescópio refrator apo 70mm f/8 + Canon D500+DSF banda larga – expo 45min (9x300s) iso1600 02Fe19
  
Se na luz do dia o alcance da vista se limita ao mastro que surge no horizonte e denuncia a presença do navio, na escuridão da noite o alcance da vista se amplia e prenuncia a imensidão sideral.


M41 (NGC 2287) Aglomerado estelar, idade 190 milhões de anos, distante 2.260 anos-luz, dimensão 26 anos-luz, magnitude 4.5, constelação Cão Maior, declinação -20°.45’
Telescópio refrator apo 70mm f/8 + Canon D500+DSF banda larga – expo 45min (9x300s) iso3200 31Jan19

Perto, ao alcance da vista, as estrelas brilham a centenas e milhares de anos-luz. A lente ótica e o sensor eletrônico coletam e empilham os fótons, a imagem revela objetos distantes, o passado chega ao presente.


IC 2391 OMICRON VELORUM Aglomerado estelar distante 500 anos-luz, idade 13,7 milhões de anos, 30 estrelas, magnitude 2.5, constelação Vela, declinação -53°.08’
Telescópio refrator apo 70mm f/8 + Canon D500+DSF banda larga – expo 33min (6x330s) iso1600 30Jan19
  
E de noite, com o céu escuro, aparecem as luzes das estrelas, da Lua e planetas e de tudo que brilha a olho nu. E quando um instrumento ótico amplia o que o olho não via, então o olho vê o que nunca viu e a imagem se torna reveladora de uma nova realidade, um novo conhecimento e adiante está o passo que leva ao significado, ao conteúdo, ao propósito, ao sentido da existência.


IC2602 PLEIADES DO SUL Aglomerado estelar distante 527 anos-luz, idade 13.7 milhões de anos, 74 estrelas, magnitude 1.9, constelação Carina, declinação -64°.24’
Telescópio refletor 200mm f/4+ Canon D650+ClipIn banda larga – expo 51min (6x270s) iso800 01Fev19
  
A noite é serena e eterna, a temperatura ambiente é amena e agradável, com ela o silêncio e o mundo fazem sentido, o som e as sombras ganham expressão. As estrelas aparecem e na calma da noite, tudo se encaixa, tudo parece estar no seu devido lugar.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Cometa IWAMOTO

 ...viajante de longe, viajante no tempo...
Gilberto Jardineiro

Descoberto em dezembro de 2018 pelo astrônomo amador japonês Masayuki Iwamoto, está de passagem rápida numa rara visita ao sistema solar interno, o cometa C/2018 Y1 IWAMOTO, vindo das profundezas do espaço, 5 vezes mais distante que Plutão, além do Cinturão de Kuiper, no habitat dos Objetos Trans-Netunianos Extremos, parente de Sedna, Biden e Goblin.  O Cometa passou “perto”, (em termos geológicos, 45 milhões de km) da Terra nos dias 12 e 13 de fevereiro e viajando a 37 km por segundo, percorreu mais de 120 mil km em quase 1 hora em que as imagens abaixo foram capturadas. Em sua órbita altamente elíptica de 1371 anos, na última passagem no ano de 648, a Europa estava adentrando a Idade Média, o Islamismo estava nascendo, o cristianismo se espalhando e na América os Maias estavam no apogeu, construindo as cidades de Palenque, Tikal e Copan. Talvez, quando voltar no ano de 3390, ainda haja vestígios da civilização humana.  Brilhando com magnitude +6.5, o cometa não é visível a olho nu mas ainda pode ser visto nos próximos dias durante a madrugada com auxilio ótico cruzando a constelação de Leão.


Cometa Iwamoto - astrofoto pilha de 5 imagens de 45 segundos, iso 3200, telescópio refletor 200mm f/4 + Canon EOS D650 + filtro banda larga DSF



Cometa Iwamoto – astrofoto pilha  6x5m iso1600+ intervalos 5x5minutos
cada traço/exposição 5 minutos = ± 11.100 km percorridos
tempo total 55 minutos – deslocamento ± 122.000 km 
09 Fevereiro 2019 – 03h41m / 04h32m

Cometa Iwamoto – astrofoto pilha  12x45segundos iso3200 + intervalos 12x4minutos
cada ponto/exposição 45 segundos = ± 1.600 km percorridos
tempo total 57 minutos – deslocamento ± 126.000 km 
10 Fevereiro 2019 – 02h49m / 03h46m




10/02/19 – 03h05m
  
Position
Right ascension
11h 2.7m
Declination
7° 43'
Constellation
Leo
Distance from Earth
0.320 AU
Last observed magnitude
7.0
Date of last reported observation
11/02/2019
Altitude
58.7°
Azimuth
349° (N)
Angular separation from Sun
157.0°
Ecliptic latitude
0.4°
Orbit
Distance from Sun
1.288 AU
Perihelion
1.287 AU
(07/02/2019)
Aphelion
244.589 AU
Period
1,363 years
Eccentricity
0.989532
Inclination to ecliptic
160.4°
Speed relative to Sun
37.020 km/s

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Nos Domínios da Tarântula

"...se ela estivesse mais perto, ocuparia metade do céu!...

Depois de tanta chuva, uma sequência de noites abertas com atmosfera estável e sem nenhuma umidade nos primeiros dias de janeiro, praticamente “quebrou” o verão e expôs vários objetos celestiais que normalmente ficam ocultos atrás de espessas camadas de nuvens carregadas de umidade nesta época do ano, com sol de manhã, nuvens de tarde, pancada de chuva e invariavelmente céu fechado noite após noite. E de repente, uma janela se abriu por várias noites seguidas e o observatório finalmente pode ser aberto. 
A Nebulosa da Tarântula é uma gigante região formadora de novas estrelas com mais de mil anos-luz de diâmetro, na galáxia satélite, a Grande Nuvem de Magalhães, distante 180 mil anos luz. É a maior e mais violenta região formadora de estrelas em todo Grupo Local de galáxias e a aranha cósmica pode ser apreciada nestas imagens compostas com filtros de banda estreita centrados na emissão dos átomos ionizados de hidrogênio e oxigênio, banda larga e P&B. Dentro da Tarântula, NGC 2070, radiação intensa, ventos estelares e ondas de choque de supernovas do jovem aglomerado central de estrelas massivas, catalogado como R136, energizam o brilho nebular e formam os filamentos aracnídeos. À volta da Tarântula, outros berçários com aglomerados de jovens estrelas, filamentos e nuvens em formato de bolhas sopradas. Uma das grandes joias astronômicas do hemisfério sul, na constelação Dorado, se ela estivesse mais perto, digamos distante 1.500 anos-luz, tal qual a Nebulosa de Orion, ela ocuparia metade do céu!
TARANTULA refrator + D500 + H-ALPHA 8x8min iso1600 10Jan19

TARANTULA refletor + D650 +OIII mix manual 1x8min + 2x10min  08Jan19

TARANTULA refrator + D500 +DSF 6x8min iso1600 09Jan19 

TARANTULA refletor P&B 6x8min iso800   11Jan19

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Cometa 46P / Wirtanen cruzando o céu nas noites de dezembro

O Cometa 46 P / Wirtanen está cruzando o alto do céu nas noites desta primeira quinzena de dezembro e embora ainda não seja visível a olho nu, está se aproximando para eventualmente se tornar bem visível num par de binóculos ou mesmo a olho nu. Seu ponto mais próximo do Sol, periélio, será no dia 12 e vai estar mais perto da Terra no dia 16. A Lua vai estar na fase crescente nesse período e vai encharcar o céu de luz, atrapalhando a visibilidade do cometa na primeira parte da noite.

O 46P / Wirtanen é um pequeno cometa com um período orbital de 5,4 anos. Ele era o alvo original de investigação pela sonda espacial Rosetta, planejada pela ESA. Pertence à família de asteroides de Júpiter e têm afélios entre 5 e 6 UA. O seu diâmetro é estimado em 1,2 km (0,75 milhas). O cometa foi alvo para a sonda espacial Comet Hopper, proposta pela NASA em 2016. 46P/Wirtanen foi descoberto fotograficamente em 17 de janeiro de 1948 pelo astrônomo norte-americano Carl A. Wirtanen. A placa foi exposta no dia 15 de janeiro durante uma pesquisa de movimento próprio estelar para o Observatório Lick, na Califórnia. Devido a um número limitado de observações iniciais, que levou mais de um ano para reconhecer esse objeto como um cometa de curto período. Em 16 de dezembro de 2018 o cometa passará 0,0777 UA (11.620.000 km ; 7.220.000 milhas) da Terra, viajando a 37 km por segundo. (Wikipédia)

Com todo esse tempo nublado e chuvoso, numa janela fortuita de céus claros que se abriu na noite de 27 Novembro, a passagem do cometa foi registrada nesta imagem de 50 minutos de exposição, empilhada com 20 exposições de 2min30seg cada, mostrando os vinte pontos de cada estrela e a cabeleira verde esmeralda do gás dicarbono (C2), liberado pelo aquecimento do seu núcleo provocado pela radiação solar.


Nesta imagem, a trajetória aparente do cometa Wirtanen entre as estrelas representada por sete exposições de 2min30seg, com intervalos de 17min30seg

Telescópio Refletor Fibra Carbono 200mm f/4; Canon D650 + filtro banda larga Lumicon DSF, iso800, 27Nov2018, Gilberto Jardineiro, Cunha SP




quinta-feira, 26 de julho de 2018

Maratona Filtros de Banda Estreita - Julho 2018

Aqui em Cunha, do dia 06 a 20 de julho o tempo ficou aberto, seco e transparente, atmosfera com ótima estabilidade térmica trazida pelo frio de nosso inverno, numa sequencia incrível de 13 noites muito propícias e pude finalmente abrir as caixas de novos filtros e passar as noites fotografando nebulosas galácticas, as imensas nuvens de hidrogênio, verdadeiros berçários de estrelas jovens e quentes que ionizam e iluminam a nebulosa com radiação ultra violeta. Com os novos filtros Baader de banda estreita eu pude agora fotografar separadamente cada linha de transmissão e pela primeira vez consegui montar e unificar a imagem, num total de 3 horas e 10 minutos de exposições conjuntas, um recorde e um feito para mim, que compartilho com vocês. A imagem retrata a “The Running Chicken Nebula”, informalmente denominada por mim como Nebulosa do Galo, para evitar associações com o frango da Sadia. Localizada na constelação do Centauro, ao lado do Cruzeiro, só é visível do hemisfério Sul, número de catálogo IC 2944/2948, está distante 6.500 anos-luz, raio 60 anos-luz, magnitude aparente 4.5, é classificada como aglomerado aberto com nebulosidade e é um objeto que só se mostra nas linhas de emissão Hidrogênio-Alpha, Oxigênio III E Sulphur II, através dos filtros de banda estreita que estou inaugurando agora.  Com o filtro H-ALPHA, em 3 sessões capturei 17 exposições de 5 minutos cada, totalizando 1 hora e 25 minutos de coleta de fótons. Com o filtro OIII foram 35 minutos (7x5m) e com o filtro SII (Sulphur) foram 14 exposições de 5 minutos, (1hora e 10 minutos). Empilhando todas as imagens com 3 horas e 10 minutos de captura dos fótons nesta imagem que compartilho. Sob escrutínio, o empilhamento de imagens de filtros diferentes parece propiciar a tridimensionalidade na sensação de profundidade perceptível na imagem.
IC 2944/2948 Nebulosa do Galo - Telescópio refletor 200mm, f/4 + Canon D500 modificada, 38 exposições de 5 minutos, total 3 horas e 10 minutos, filtros H-Alpha + OIII + SII





terça-feira, 5 de junho de 2018

NOITES DE ABRIL E MAIO

Agora que o tempo virou completamente e as noites fechadas escondem as estrelas, sem acesso ao céu sobrou tempo para repassar algumas imagens capturadas em noites abertas de abril e de maio, inaugurando a temporada de frio, noites transparentes e atmosfera estável. Desta vez, usei somente a lente de uma Barlow acoplada na Canon modificada, com corretor de coma e filtro de banda larga para conter a emissão da iluminação pública, estendendo a distância focal do meu refletor de 800mm para 1200mm, o que propiciou aumento de 30x para 46 vezes e me permitiu acesso a novos detalhes de objetos já conhecidos, como Eta Carinae, Caixinha de Joias, etc, e me permitiu incluir novos alvos no cardápio do meu arsenal, aglomerados, nebulosas planetárias e galáxias que antes estavam fora de alcance. Com a alteração da razão focal de f/4 para f/6 também diminui a entrada de fótons e como consequência tive que aumentar a sensibilidade ISO de 800 para até 3200 e aumentar o tempo médio de exposição de 3 para 6 minutos, no limite de minha capacidade de autoguiagem, tendo que descartar 2 ou 3 imagens em cada 10 capturadas em alguns casos . Além da umidade sempre presente, outro problema enfrentado foi a alternância das noites abertas e sem uma série de noites seguidas de continuidade, com intervalos,  a escolha dos alvos acabou sendo por oportunidade, aquilo que estava melhor localizado no céu para o momento. 
 NGC 3132  Eight-Burst Planetary - Lensbar 11x180seg iso 1600 23Maio18 crop
  
 ETA CARINA + Lensbar 8x3min iso1600 09maio18 

M20 - LAGOON  Lensbar  11x4m iso3200 11maio18 

 M6 – Aglomerado da Borboleta - 9x2min iso1600 Lensbar crop

M20 – Trifida - Lensbar 8x5min iso3200 21Maio18 

JUPITER e a GRANDE MANCHA VERMELHA
CCD-DBK + barlow x2.5   29maio18 video 1534 frames pilha 595 frames 

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Cometa, Estrelas e Galáxias

Cometa Johnson - Parte I
Está passando por aqui, no começo da noite no alto de nossas cabeças, sob  um céu de inverno estrelado, entre Júpiter e Arcturus, um visitante distante, o Cometa  C/2015 V2 Johnson, vindo das profundezas do sistema solar, provavelmente da Nuvem de Oort, em órbita hiperbólica que o levará para o meio interestelar. Descoberto em Novembro de 2015, passou pelo periélio em 12 de junho e com magnitude 7.5 está fora do alcance da vista desarmada e não se espera que seu brilho aumente. Em oposição, uma cauda, se houver, está invisível atrás do cometa.
Na primeira sessão de fotos na noite de 17 de junho, o cometa foi flagrado cruzando um campo estrelado, passando perto de 4 galáxias, em 9 imagens de 4min30seg cada, totalizando 40minutos e 30segundos de exposição, iso800, empilhadas na foto acima no cometa e na foto abaixo, empilhadas com estrelas como ponto de alinhamento. 
O negativo da imagem identifica os astros presentes na imagem com a trajetória pontilhada do cometa durante o tempo total de exposição
NGC 5569 é uma galáxia espiral barrada (SBc) localizada na direção da constelação de Virgo. Faz parte, juntamente com NGC 5566 e NGC 5560, de um trio de galáxias que interagem gravitacionalmente, denominado Arp 286
NGC 5577 é uma galáxia espiral (Sbc) localizada na direção da constelação de Virgo, descoberta em 26 de Abril de 1849 por William Parsons