AstroClubeCunha

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terça-feira, 7 de março de 2017

      De Volta à Luz das Estrelas
    a recuperação de um telescópio

Em tempos de crise, dólar alto, imposto duplicando o preço dos importados e com nossas poucas lojas virtuais de acessórios astronômicos fechando, é enorme a dificuldade de aquisição de equipamento básico de qualidade para observação astronômica e astrofotografia e fiquei empolgado ao descobrir encostado aqui em Cunha no sitio do meu amigo Zé Luiz, um telescópio de porte, lindo tubo ótico branco de 1,5 m e 20 cm de abertura, montagem equatorial e tripé-píer de cor laranja bastante atrativo. Havia chegado às suas mãos em troca de uma caixa de vinho português, construído numa oficina no Planetário de São Paulo, o espelho polido pelo próprio dono, e usado num sítio no interior por bastante tempo até que foi substituído por um telescópio eletrônico. Daria para recuperar? Poderia voltar a nos contemplar com imagens celestiais?

Sem acessórios, nele nada se via, eixo ótico desalinhado, espelho comprometido, montagem com folgas nos eixos, marcas de uso por todos os lados. Em casa, sem hesitação, fui direto ao coração do instrumento, o espelho primário. Soltei os parafusos que prendiam a célula de madeira no tubo e logo confirmei o estado deteriorado do espelho, com presença de fungos.  Desmontado e embalado, o espelho foi enviado a Belo Horizonte para avaliação e re-aluminização muito bem sucedida pelo professor Bernardo Riedel, que também forneceu o espelho secundário oval. 

Para participar do trabalho de restauração, foi convidado o astrônomo amador e ferramenteiro aposentado, exímio construtor de acessórios e adaptadores para telescópios, amigo e parceiro astronômico, o Pepe, que acabou resolvendo todos os problemas mecânicos.


Para substituir o antiquado focalizador de pressão, de bitola mirim 0,965”, foi instalado um focalizador maior, de bitola 1,25”, com cremalheira para permitir ajustes finos e facilitar a observação   
      
A grande projeção externa do novo focalizador trouxe o ponto focal para fora e o espelho primário teve que ser reposicionado mais adiante no tubo. Foi feita a retirada de 15 cm de excesso, encurtando o tubo para 1,35m  

Foi dada especial atenção à outra crucial parte do telescópio, a montagem e o tripé, o mecanismo capaz de apontar para qualquer ponto do céu com estabilidade, sem vibração. Felizmente não foi encontrado nenhum eixo danificado e as folgas foram eliminadas com ajustes e lubrificação. Com o tubo e o contrapeso balanceados, o telescópio pode ser mantido em posição com apenas um leve aperto das travas

Desmontada e submetida à limpeza completa, a célula de madeira do espelho primário foi impermeabilizada para proteção contra umidade. A adaptação do novo focalizador exigiu o alargamento do furo no tubo ótico.

               
Pelo peso e tamanho, foi fundamental a substituição dos rodilhos para facilitar a locomoção e o posicionamento do instrumento.
Para facilitar a operação e melhorar a pontaria, foi instalado um apontador de laser verde para a primeira aproximação e uma buscadora provida de retículo para a centralização do objeto no focalizador
Sistema ótico refeito, focalizador novo, para explorar o potencial e assegurar desempenho compatível, foi disponibilizada uma maleta com oculares de 4 distâncias focais diferentes e um filtro polarizador ajustável para observação lunar
Finalmente, recuperado, na primeira brecha no céu chuvoso de verão, o belo instrumento viu sua primeira luz apontado para a Lua.  Balanceada e alinhada com o polo sul geográfico, a montagem equatorial permite com facilidade o reposicionamento rápido e constante do objeto na ocular. Com o eixo ótico colimado, produziu imagens lunares nítidas, com bom contraste mesmo na claridade da tarde, provando excelente configuração e sucesso no processo de polimento e re-aluminização do espelho primário.
Depois de muito tempo encostado e 3 meses de recuperação, de volta à vida o telescópio está pronto para retornar ao sítio do meu amigo Zé Luiz. A um custo abaixo de mil e quinhentos reais, foi recuperado um instrumento que tem como similar telescópios acima da faixa de três mil reais. Além do benefício do custo, a distância focal longa, de 1,30m, confere a este instrumento boa capacidade de magnificação e a razão focal f/6.5 a habilidade de produzir claras e nítidas imagens planetárias. Resta aguardar a chegada do frio para por à prova seus atributos e comemorar com champanhe sua volta à ativa no início da temporada de observação, com a chegada do frio, no céu escuro de Cunha.
Gilberto Jardineiro




domingo, 19 de fevereiro de 2017

8 noites abertas em Janeiro 2017

Olá astroamigos
No chuvoso janeiro que passou, foram apenas 8 oportunidades para abrir o observatório e na maioria delas o céu esteve apenas parcialmente aberto, ora com nuvens, ora com névoa e umidade. Era de se esperar - é verão e esse comportamento sol de manhã + nuvens de tarde + céu nublado de noite é padrão não só aqui em Cunha. Deve se prolongar até que as águas de março encerrem o verão. Mesmo com mais de 25% de aproveitamento (8 noites em 31 dias de janeiro), essas janelas de observação foram esparsas, com intervalos longos, de até 10 noites fechadas em sequência,  com sequência máxima de 3 noites seguidas com céu aberto. Com toda essa chuva e céu quase sempre fechado, não há programação nem agenda  que resista; não deu para acompanhar a conjunção de Vênus com a Lua no dia 2; não deu para fotografar Vênus no dia 12 em máxima elongação leste, e no dia 14 quando esteve metade iluminado (dicotomia), deu para fazer apenas uma imagem. Passou batida a oposição do asteroide Vesta na noite de 17/18 e tampouco deu para acompanhar a conjunção entre a Lua, Vênus e Marte no final da tarde do último dia do mês. Por aqui tampouco deu para ver o eclipse penumbral parcial da semana passada e a esperança é que no domingo dia 26 de fevereiro, dia do eclipse, haja Sol.
grande abraço a todos, céus claros
Gilberto Jardineiro
AstroClubeCunha

Aqui está o que deu para fazer nas 8 noites abertas de janeiro:

1ª noite – 01 janeiro – domingo – pré-conjunção Vênus + Lua
Canon, lente 55~250mm a 135mm, iso200 exposição 1/125






2ª noite – 04 janeiro – quarta – M42 ORION
única imagem feita com 5 minutos de exposição, iso800



3ª noite – 08 janeiro – domingo – Alinhamento
Com muita névoa, quase todo o tempo aberto foi dedicado ao alinhamento polar do telescópio com a correção da deriva equatorial. Nenhuma imagem foi feita.

4ª noite – 14 janeiro – sábado – Dicotomia de Vênus
Devido às condições precárias do tempo, não foi possível fazer capturas decentes do planeta meio iluminado e a única imagem foi obtida perto do horizonte.


5ª noite – 25 janeiro – quarta – Vênus
1 - Céu aberto no fim da tarde, captura de 3 vídeos de Vênus.


2 - 1º teste do filtro de banda estreita Oxigênio III (O-III), na 2ª parte da noite, em Eta Carinae


6ª noite – 27 janeiro – sexta
ORION M42 – Canon T1i modificada + filtro banda larga DSF (Deep Sky Filter) empilhamento 10 frames 120seg ISO800


7ª noite – 28 janeiro – sábado
ORION M42 - Canon T1i modificada + filtro banda estreita Oxigênio III (OIII) empilhamento de 10 frames 120seg ISO800 

8ª noite – 29 janeiro – domingo –
ORION M42 - Canon T1i modificada – mescla das imagens com filtro banda estreita Oxigênio III + filtro banda larga DSF Deep Sky Filter